domingo, 20 de dezembro de 2009

NINGUÊM SE LEMBRA.


JÁ NÃO INTERESSA!


   Um povo em que alguns são de memória curta, onde quase ninguém se lembra ou faz qualquer referência às obras da Dª Delfina junto á antiga estalagem Rio Sousa, obras que já em tempos foram objecto de um pequeno restauro da Associação Para o Desenvolvimento da Freguesia de Novelas, onde a solidariedade realmente aí chegava.


   Nesse tempo António da Silva Meireles deu o primeiro passo para que a D. Delfina realmente tivesse um mínimo de condições, a dignidade que merecia e que hoje ainda se mantêm viva e recorda muito bem.


 


   O Jovens de Novelas representado por Reinaldo Meireles, resolveram então em Dezembro de 2007 mostrar quais os seus valores e o que realmente os fazem mover pois quando muitos tentaram e não conseguiram nós realmente fizemos.
   É claro que só se vê o que se quer e quem quer, mas tal como Durkheim, duas formas de solidariedade social nos dias de hoje podem ser constatadas:
   Uma a solidariedade mecânica, é esta uma sociedade que tem coerência porque os indivíduos ainda não se diferenciam, reconhecem os mesmos valores, os mesmos sentimentos.
   Outra a solidariedade orgânica, característica das sociedades capitalistas, onde, através da divisão do trabalho social, os indivíduos tornam-se interdependentes, garantindo, assim, a união social, mas não pelos costumes, tradições etc.
   Os indivíduos não se assemelham, são diferentes e necessários, como os órgãos de um ser vivo.
   Afinal que solidariedade foi por nós prestada uma solidariedade Social ou uma solidariedade Mecânica.
   Como fizemos? O que fizemos? Quem comentou? Quanto gastamos? E quem nos apoiou?
   O diálogo a honestidade e a união é a fonte de todo o segredo e a juntar a tudo isso podemos ter tudo o que queremos, neste contexto foi visível a limpeza e desmatação de toda a área envolvente, a reconstrução e substituição do telhado, a colocação de janelas e portas em caixilharia de alumínio, a construção integral de uma instalação sanitária com todas as condições, a colocação de água quente e termo acumulador, a substituição do tecto e reforço da estrutura principal, a pintura interior, a limpeza a colocação de toalheiros, toalhas, e todo um conjunto de acessórios necessários.
   A colocação de gradeamento e pintura dos mesmo, e sobretudo a devolução de um Natal com mais dignidade com um investimento solidário e humano muito grande que levam a reflexão de ideias fundamentais que decorrem desta análise, como o conceito de consciência colectiva e que tenha sua vida própria.
   No entanto a solidariedade orgânica é o que vemos no dia a dia e que podemos designar de consciência colectiva ou comum, mas sem dúvida, ela não tem como substrato um órgão único; é, por definição, difusa, ocupando toda a extensão da sociedade; mas nem por isso deixa de ter características específicas, que a tornam numa realidade.
   “Por outro lado, nada muda em cada um, mas ao contrário liga as gerações que se sucedem e que não se confunde com as consciências livres, embora se realize apenas nos indivíduos. É o tipo psíquico da sociedade, tipo que tem suas propriedades, condições de existência, seu modo de desenvolvimento, exactamente como os tipos individuais, embora de outra maneira.
   A Dª Delfina reconhece e agradece desejamos-lhe por isso neste Natal 2009 muita saúde e que se sinta confortável por muitos anos.
Qual e onde será o nosso próximo investimento, quais os nossos próximos projectos, como e porque o faremos estará brevemente disponível para seu conhecimento.


Novelas Dezembro de 2009






sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

DVD - 43 UM ACIDENTE NO RIO SOUSA.

O FILME!

  Depois de muita contestação fez-se luz e o tão desejado, controverso e admirável filme foi concluído e apresentado a 25 de Março de 2007.
  Não se arrecadou, ofereceu-se e valorizaram-se os jovens e a freguesia de Novelas, onde esteve representada a Junta de Freguesia pelo Sr. Presidente que marcou a sua presença na estreia da longa-metragem e que fortaleceu os jovens com as suas palavras.
  Os Jovens reconhecem e agradecem também a todos aqueles que de uma forma ou outra enalteceram este trabalho.


  É de reconhecer as capacidades destes dois personagens “actores” que fizeram algo de extraordinário e conseguiram dar um enriquecimento ao trabalho conforme podem verificar.
  O Zé do arco representado por Albino Barbosa e o Sousa por Luís “Crespin “ foram especiais com a capacidade que demonstraram ter e que levaram até ao público os melhores momentos desta longa - metragem.


  A completar temos a experiência de seniores personagens que muito bem conseguiram interpretar os seus papéis, este foi um momento onde a naturalidade foi uma ajuda preciosa para que se representasse muito bem. É de reconhecer o talento aqui exposto e como os jovens quando querem têm capacidade.


  Este foi um outro momento alto deste trabalho onde se conseguiu aproveitar o cenário natural da Quinta da Folha e os actores estiveram mais uma vez de parabéns.
   Divertiram-se e fizeram divertir


  Quase no fim todos os personagens dão o seu melhor e tenta-se encontrar um final de impacto sem ferir sensibilidades uma vez que a história não é real.


  Aqui foi muito bem reportada a história do Sr. Dias apresentada pelo Sr. Oliveira, que reporta a extinção da antiga companhia de electricidade com cobradores que nos deixam grandes recordações.


  Um extraordinário trabalho, que levou a documentários, críticas e respostas a quem não conseguiu estar á altura de uma maravilhosa cena apresentada por Um For UM .


  Quem é o Chico, esta personagem é muito bem documentada por Ricardo que esteve á altura de um papel bem conseguido.

  A lenda retrata a história e aí poderá ver exactamente como tudo começou.

   “Foi, num verão á muitos e muitos anos, que o Chico desapareceu na ponte do Codeço numa noite de luar e que quem por lá passa diz que é verdade, que se ouvem vozes fazendo com que os menos corajosos evitem esse caminho.A Ana culpa-se porque não pediu ajuda a tempo, a sua mãe e o seu pai não se conformam, com o sucedido, por sua vez o Tiago diz que a culpa é de todos eles, porque queriam ser corajosos e o resultado tinha-se visto, o André tem a opinião de que não adiantava atribuir culpas.Diz que o Zé do arco era um vilão muito esperto, e não deixava por isso ser apanhado por um grupo de pirralhos, sendo o mais mal para o Chico que lá tinha ido e que pelo menos deveriam encontrar o corpo para que pudesse descansar em paz, dessa forma as pessoas não comentariam que ele andaria aí a penar pedindo ajuda.Assim se criou a história, uma história que de forma alguma é real e que nunca mas nunca poderá ser interpretada integralmente como verdadeira.Agora no mês de Julho de 2006 junto aos moinhos procedia-se á limpeza do rio e a quando da recuperação dos mesmos e dois trabalhadores foram surpreendidos por um estranho achado, de imediato a notícia se espalhou de boca em boca pela freguesia de Novelas e em menos de nada se amontoou muita gente, a Ana irmã do Chico também apareceu, com o coração apertado, afastou-se, pensava que agora iria ser encontrada realmente a verdade, 20 anos depois de ser oficialmente dado como desaparecido o seu irmão, e que irá ser feita a justiça.A Ana uma mulher feita encontra-se ansiosa e um pouco nostálgica, sente que estão a remexer no passado e relembram aquela noite fatídica,... Uma aventura de crianças em que ela era protagonista, e que acabou mal...Será que realmente são restos de um corpo, será que são do Chico, ou será apenas uma história...

A LENDA!




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Novelas 04 de Dezembro 2009






segunda-feira, 5 de outubro de 2009

DVD - 63 O SALTO "UM LOCAL A PRESERVAR"

EU NÃO ACHO JUSTO, NEM UM BOCADINHO!


Não tinham que deixar chegar o SALTO a este ponto.
Não tinham que ignorar, nós tínhamos todas as respostas,…todas as soluções., nós tínhamos tudo nas nossas mãos, mas ninguém fez nada por isso.
Daqui para a frente já não há preocupações com o futuro. Têm mais que se preocupar com o hoje, porque assim o SALTO não terá futuro.
Era mais uma questão política, uma questão de egoísmo, mas ninguém estava preocupado em salvar o SALTO. Estava toda a gente preocupado mais, em encher o bolso e não em preservar a natureza, locais bonitos como este.
E olhem só onde isto chegou.


Eu falei com os meus pais, era para aproveitar e dar ao SALTO, não era para tirar ou matar.
Se eu pudesse voltar no tempo, meu pai dizia que eu dava saltos de alegria, e chamaria a atenção, para um pouco mais de consciência.


Mas eu sei que no futuro não vai sobrar nada do que existe hoje.
Durante a primeira década do século XXI, os sinais da transformação estavam em todo o lugar. Eu lembro-me bem. Foi em 2009, foi quando pensei que realmente, que as coisas iam mudar.
Já fazia mais de uma década que o SALTO se sentia ameaçado, e então apareciam as primeiras histórias sobre a construção da nova ponte.
Os estudos apareceram, o rio e as construções não foram acautelados, os peixes começaram a desaparecer de tanto e tanto lixo.
Á medida que avançamos no tempo, o betão, os detritos e a poluição, faziam parte da sua destruição. Uma ponte.

 

Seria razão para não acautelar?
Toda a gente falava nisso, os jornais a televisão a Internet; a construção da nova ponte era uma realidade. As previsões sobre o futuro do SALTO eram sombrias, mas o SALTO como outros locais a preservar foram e serão sempre um objecto ignorado da evolução.
O assunto estava na pauta das entidades governamentais, eram necessárias acções imediatas para não deixar avançar o processo.
No ano de dois mil e nove era tempo, mais que suficiente para obrigar os responsáveis a preservar o SALTO. Mas nada disso aconteceu!
Se Portugal simplesmente cumprisse o que promete, lugares como estes eram sempre preservados, e pontes seriam sempre construídas noutros locais, e sem quaisquer impactos ambientais.
Tudo o que o governo precisava, era de fazer Portugal cumprir a lei e olhar lugares como este, para que servissem de exemplo e não queimar e destruir como vemos aqui à frente.
Vem uma ponte, depois vem o fogo, depois não sei que mais,… e a evolução é a destruição.
Fizeram exactamente ao contrário, comprometeram e não salvaguardaram os interesses locais.
Se as coisas não iam bem, foi fácil construiu-se uma ponte na sua frente. Ruído, impacto, esquecer a mãe natureza e o que mais é essencial.
E pensar que este era um dos problemas, fáceis de resolver. Era só alterar e não construir ali, mas faltou tentar, tentar de verdade.
Esquecer é mais fácil, e esqueceram o SALTO. Que dirão os chefes de família, com poucos filhos, que já não aguentam e não sabem o que fazer mais porque a evolução trás disto, só passaram 50 anos e tiraram a Filosofia da educação básica, e como o pensamento era reprimido, com a revolução tudo mudou.
Mas não era assim, e deu no que deu.
Quanto era bom, tomara banho no rio. Estou a lembrar-me que nessa altura, os palhaços eram o Rico e o Pobre e hoje o povo inteiro é meio palhaço, meio pateta e completamente pobre.
Os ambientalistas, e os cidadãos que se preocuparam, fizeram de tudo para convencer a alterar o traçado.
Acho que este governo não se quis comprometer a alterar o traçado, porque outros já assim o não fizeram em outras situações.
O que acontece é sempre um efeito dominó, mais e mais, sem olharem ao futuro.
Um local como o SALTO poderia ser maravilhoso e acabarão mais tarde ou mais cedo por destruí-lo.


Foram egoístas, não se preocuparam com o futuro do SALTO e com as próximas gerações.
Eu ouvi uma história que o meu avô, contou para a minha mãe. Que no passado, o passado era muito bom, tinha muitas árvores água limpa, peixes, podia-mos tomar banho no rio, e tinha também um local para piqueniques, levava-mos lanche e frutas. Como era bonito!
Hoje eu não entendo porque não fizeram nada. Eu acho que pensaram que se tornaria mais fácil, mais barato, além dos interesses pessoais. Mas deveriam saber, que nós tínhamos apenas um lugar como este, e várias hipóteses para a alterar.
Pára!
Que á malta com mais de 50, dá um aperto no coração, só de pensar que tudo isto é pura verdade, e que a nossa realidade é de fazer vergonha! E o pior, é que já ninguém sabe o que é "vergonha"!


Assim fizeram meu bisavô, meu avô, meu pai e eu. Não havia outra coisa no mundo além disso. E eu era muito feliz com isso. Mas é muito!
Saber isso é valioso, sem dúvida! Ali tudo era simples e profundo.
Existiam muito poucas coisas. E cada uma tinha um enorme valor!
Aqui todos temos relógio, lá tínhamos tempo.
O tempo a frescura e um rio.
Mas você não pode tocar a mesma água duas vezes, porque a água que passou, não passará de novo.

Novelas, 29 de Agosto de 2010.